Movimento Causa do Douro lança desafio à produção para avançar com petição pública pelo desbloqueio das verbas cativas na Direção Geral do Tesouro com vista à criação de um fundo de crise.

Na sequência das tomadas de posição públicas, avançadas com um forte sentido cívico no final de março, antecipando e sugerindo alguns caminhos que a Região Demarcada do Douro poderia tomar por forma a amenizar o impacto negativo da pandemia no setor do vinho, o Movimento Causa do Douro vem dar sequência à sua ação de modo a recentrar a discussão na realidade que a Região vive e traduzir as palavras em atos concretos.

A distância temporal desde o nosso 1º comunicado “Movimento Causa do Douro apela por medidas de proteção para a viticultura da Região Demarcada do Douro” (ver aqui) e após termos enviado uma carta à Ministra da Agricultura “Movimento – Causa do Douro envia carta à Ministra da Agricultura a sugerir base de trabalho para possíveis medidas de proteção para a RDD” (ver aqui), permite-nos assumir humildemente, que foram tiros de partida importantes e que serviu claramente de alavanca para despertar algumas tomadas de posição de agentes associativos com responsabilidades.

Ficamos naturalmente satisfeitos que alguns dos nossos contributos tenham sido
absorvidos nas linhas discursivas de algumas posições, embora de reação lenta. O nosso objetivo com esta antecipação, foi precisamente o de despertar e gerar reflexão, afinal de contas somos um movimento cívico, sem responsabilidades no Interprofissional.

Cada vez mais acreditamos num Douro onde a partilha, a reflexão e o diálogo nos pode levar mais longe. Nos últimos meses assistimos serenamente e atentos ao
comportamento dos vários agentes económicos, associativos e políticos sobre como poderemos ultrapassar esta fase crítica que se está a sentir na Região.

Assim, tornamos público que por iniciativa própria fizemos chegar um conjunto de
propostas para análise dos representantes do Conselho Interprofissional da Região Demarcada do Douro, e verificámos que até à data, nem o IVDP, nem os representantes da produção conseguiram alcançar soluções. Ficamos ainda mais preocupados quando publicamente percebemos que há uma discrepância do sentimento geral da RDD e a falsa sensação que o impacto da COVID-19 pode não ser assim tão negativo. Não podemos concordar com essa perspetiva meramente estatística.

Perante os cenários que foram sendo retratados pelos diversos agentes, resolvemos propor um caminho que clarifique a RDD face ao desbloqueio dos aproximadamente 10 milhões cativos na Direção Geral do Tesouro, que também consideramos serem pertença da RDD.

Na nossa condição unicamente cívica e não tendo, qualquer responsabilidade institucional, pelo menos para já, vimos desafiar quem efetivamente tem a obrigatoriedade de defender a produção, para que seja um pouco mais ambicioso e se deixe de estar sentado perante um tabuleiro de xadrez e consiga ir mais além que palavras soltas para títulos de jornal. Entendemos que é chegada a hora dos agentes associativos que supostamente deveriam defender a produção assumam uma nova modalidade de ação, mais pró-ativa e não reativa. Os viticultores necessitam urgentemente de novos agentes a construir o seu caminho.

Perante o apelo generalizado sobre possível desbloqueio dos aproximadamente 10 milhões de euros cativos à ordem da Direção Geral do Tesouro, provenientes de taxas aplicadas pelo IVDP, ao qual nós também concordamos e também descrevemos nas nossas propostas, entendemos que chegou a hora de fazer mais.

Neste sentido, vimos publicamente lançar o desafio aos dirigentes associativos com responsabilidades de defender a produção que avancem com uma petição dirigida à Assembleia da República, Ministério da Agricultura e Ministério da Finanças. É chegada a hora de provarem que representam claramente os viticultores. Lançado o desafio, queremos deixar bem patente que estamos disponíveis para esse passo e que não avançamos nós porque ainda não temos, reforçamos, responsabilidades institucionais, caso contrário já o teríamos feito há muito tempo. As palavras só fazem sentido se forem transformadas em atos concretos, a nossa Região já anda há muito tempo a viver de teorias e palavras, com um défice de ações concretas muito grande.

Formalizamos assim a iniciativa pública para quem de direito avance com uma petição pelo desbloqueio dos aproximadamente 10 milhões de euros cativos à ordem da Direção Geral do Tesouro, provenientes de taxas aplicadas pelo IVDP.

Chegou a hora de irmos mais longe, chegou a hora de unir os viticultores e os agentes económicos numa causa. Contem connosco de forma positiva para fortalecer esta posição de canalizar as taxas da nossa região para um fundo de crise aplicado na RDD.