Movimento Causa do Douro discute na Assembleia da República questões estruturantes sobre o impacto das intempéries na viticultura do Douro

Movimento Causa do Douro discute na Assembleia da República questões estruturantes sobre o impacto das intempéries na viticultura do Douro. O Movimento cívico Causa do Douro tem vindo gradualmente a afirmar a sua voz nas questões estruturantes da viticultura e da Região Demarcada do Douro. O Movimento considera que há questões de base estrutural no setor vitivinícola que não devem ser proteladas no tempo, nomeadamente o impacto das intempéries, que nos últimos anos têm provocado danos brutais nas colheitas, bem como a efetiva defesa dos interesses dos viticultores principalmente os de pequena e média dimensão.

Foi com muito gosto que o Movimento aceitou um convite para participar na Comissão Parlamentar de Agricultura, na audição realizada no passado dia 30 de junho, em que esteve representada a grande maioria dos partidos com assento parlamentar, com a finalidade de discutir e apontar caminhos, numa vertente técnica e política, para que posteriormente a Comissão possa traçar um projeto de lei que faça o enquadramento da problemática, e aponte soluções minimizadoras dos prejuízos provocados aos viticultores.

O Movimento Causa do Douro fez-se representar pelos membros Romeu Sequeira, viticultor, e Firmino Cordeiro, agricultor na região e um nome de referência no associativismo agrícola nacional.

Romeu Sequeira apontou que se torna fulcral salvaguardar esses desequilíbrios naturais, nomeadamente chuvas intensas e granizo, propondo que a curto prazo seja possível viabilizar a criação de uma medida, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020, que permita enquadrar a instalação de equipamentos de prevenção, como forma de precaver, ou de reduzir, o impacto desse género de catástrofes naturais na vinha.

Consciente da morosidade no avanço de alguns passos desta solução, alertou que uma das formas para a sua efetivação passaria por promover a realização de um estudo aprofundado sobre o impacto das alterações climáticas na Região Demarcada do Douro, no sentido de se desenvolverem ações mais assertivas e tecnicamente viáveis, tendo como ponto de partida os muitos trabalhos existentes na RDD. O Movimento deixou bem claro que na persecução de objetivos concretos para o atenuar deste problema, infelizmente cada vez mais frequente na região, este estudo deveria contar com a participação e colaboração de algumas entidades da região, particularizando como essenciais a Comunidade Intermunicipal do Douro e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

É ainda entendimento dos responsáveis do Movimento que a própria Casa do Douro, entretanto reinstitucionalizada como associação pública, deverá assentar a sua atuação na defesa dos seus viticultores. Tendo como pano de fundo a apresentação de uma candidatura aos órgãos sociais desta importante organização duriense, muito perdida no tempo e infelizmente bastante descredibilizada, por razões de várias ordens, o Movimento apontou como fundamental a participação ativa de todos os viticultores, objetivando a redação de um plano estratégico para a Região Demarcada do Douro. Para além das muitas ideias que nos movem acreditamos, num virar de página e no rejuvenescimento da instituição, com novos e velhos desafios, mas acima de tudo encarando o futuro com otimismo, embora conscientes das enormes dificuldades existentes.

Este enorme desafio vai exigir a todos muito empenho, muito rigor e um enorme espírito de missão, bem justificado por uma causa tão nobre como salvaguardar os interesses de milhares de viticultores e de uma das regiões mais encantadoras do nosso país e, mundialmente conhecida e reconhecida pelo esforço de tantos que a construíram e edificaram, classificada pela UNESCO como Património da Humanidade, na categoria de paisagem cultural.

Convidado a deixar algumas palavras aos senhores deputados da Comissão Parlamentar da Agricultura, Firmino Cordeiro, lembrou que o Douro, as suas gentes, os seus vinhos, a hospitalidade nas ofertas turísticas e as suas magníficas paisagens, e a própria instituição Casa do Douro têm sido muito maltratados pelo poder político centralizado em Lisboa.

É chegado o momento de todos assumirem as suas responsabilidades e acima de tudo de atuarem, de forma uníssona os durienses e de forma perfeitamente consciente os governantes, abstendo-se dos lóbis e pressões a que são sujeitos em prol do seu dever de missão.

Pela parte do “Movimento Causa do Douro” poderão contar sempre com uma postura de conciliar, de agregar valor, de gerar consensos, porque o Douro precisa e muito de unir esforços e não de se espartilhar constantemente, a prova é o tabuleiro atual onde a intriga e os interesses pessoais infelizmente se têm sobreposto aos interesses coletivos.